27 de junho de 2026

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Porque as pessoas têm dificuldade em tomar decisões?

Tomada de decisão, peças de xadrez

Vi pela primeira vez esse tema tratado de forma séria numa reportagem do Wall Street Journal sobre indecisão. O assunto me chamou atenção porque, no fundo, estamos falando de uma das habilidades mais subestimadas do mundo executivo. Decidir bem é uma competência. E como toda competência, pode ser desenvolvida.

O problema é que a maioria das pessoas nunca foi ensinada a decidir. Crescemos em ambientes que confundem demora com ponderação, hesitação com humildade e procrastinação com cuidado. O resultado são profissionais que travam diante de escolhas relativamente simples, que postergam conversas difíceis e que transformam decisões cotidianas em dramas desnecessários.

Mas por que isso acontece?

A neurociência tem algumas respostas interessantes. O cérebro humano foi programado para evitar perda, não para maximizar ganho. Daniel Kahneman, Nobel de Economia e autor de Rápido e Devagar, demonstrou que a dor de perder algo equivale, psicologicamente, ao dobro do prazer de ganhar algo de mesmo valor. Isso significa que, diante de uma decisão, o nosso sistema emocional está constantemente superestimando os riscos e subestimando as oportunidades.

Existe também o chamado paradoxo da escolha, estudado pelo psicólogo Barry Schwartz. Quanto mais opções disponíveis, maior a paralisia. Vivemos numa era de abundância de informação e de alternativas, e isso não nos tornou mais ágeis. Nos tornou mais ansiosos.

No universo corporativo, essa dificuldade se manifesta de formas muito específicas. Reuniões que nunca chegam a uma conclusão. Estratégias que ficam eternamente em revisão. Líderes que consultam dez pessoas antes de tomar qualquer decisão e que, mesmo assim, ficam insatisfeitos com o resultado.

A questão não é eliminar a dúvida. A questão é aprender a decidir com a informação disponível, no tempo disponível, aceitando que a decisão perfeita raramente existe.

Existe uma distinção útil entre dois perfis de tomadores de decisão. O primeiro pensa em preto e branco. Vê o mundo em termos mais definidos, tende a decidir com mais rapidez e a não se arrepender tanto. O segundo vive nas nuances. Enxerga múltiplas perspectivas, pondera mais variáveis, tende à paralisia quando as opções são muitas e similares.

Nenhum dos dois perfis é superior. Mas ambos precisam de estratégias diferentes para funcionar bem sob pressão.

O que aprendi ao longo de quinze anos de consultoria é que executivos que decidem bem têm algumas características em comum. Eles definem critérios antes de avaliar as opções. Eles estabelecem prazos para a decisão e os respeitam. Eles separam o que é reversível do que não é. E, sobretudo, eles convivem com o desconforto da incerteza sem precisar eliminar toda a ambiguidade antes de agir.

Decidir é um músculo. E como todo músculo, atrofia quando não exercitado.


Para aprofundar o tema

Livros

Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar de Daniel Kahneman — o mais importante de todos na minha visão. Leitura obrigatória para qualquer executivo que lida com decisões sob pressão.

The Paradox of Choice de Barry Schwartz — explica com dados por que ter mais opções nos paralisa, não nos liberta.

Decisive: How to Make Better Choices in Life and Work de Chip Heath e Dan Heath — mais prático, com ferramentas aplicáveis imediatamente.

Vídeos

TED Talk de Barry Schwartz, “The Paradox of Choice” — um dos mais assistidos da história do TED, por bons motivos. Assista antes de qualquer reunião de planejamento estratégico.

TED Talk de Ruth Chang, “How to Make Hard Choices” — perspectiva filosófica que vai muito além do autoajuda. Vale cada minuto.

Para continuar lendo

Farnam Street (fs.blog) — a melhor curadoria sobre tomada de decisão, raciocínio e modelos mentais que conheço. Assine a newsletter. Você vai agradecer.

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